Análise | Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition – Quão Mais Definitiva Pode A Definitive Edition Ficar?
As Nintendo Switch 2 Editions não são somente uma forma da Nintendo reacender o interesse nos seus jogos do arquivo, ou de espevitar os meses mais calmos do seu calendário de lançamentos: são também a forma mais evidente e pragmática de asseverar as virtudes da nova consola. Nada vende melhor a diferença entre as gerações do que ver experiências que tremiam como varas verdes na Nintendo Switch, a deslizar graciosa e serenamente pelos chips e circuitos da sua sucessora.
Porém, quando a Nintendo apregoa performance melhorada num
Super Mario Party Jamboree ou num Kirby and the Forgotten Land, os meus olhos
não saltam das órbitas em êxtase; até certo ponto, estes aprimoramentos
gráficos não soam a mais do que uma obrigação. O meu entusiasmo
permanecia reservado para uma hipotética paragem pelos jogos Xenoblade Chronicles – títulos engrandecidos pelos seus exuberantes e belos mundos abertos, portadores de uma ambição
desmedida para o hardware da
primeira Nintendo híbrida. Na Nintendo Switch, estes universos virtuais eram
impressionantes simplesmente por conseguirem respirar num hardware tão franzino; mas, na Nintendo Switch 2, a Monolith Soft tinha
tudo para nos deslumbrar com um gabarito inaudito de fidelidade gráfica.
Foi neste exigente registo de expectativas que regressei a Mira em Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition (não queres enfiar mais subtítulos, Nintendo?). Um registo tornado ainda mais exigente porque, com esta edição melhorada, nenhum conteúdo ou funcionalidades inéditas tinham sido prenunciados. Apenas duas novidades foram prometidas para esta edição premium: resolução superior até 4K no modo TV, e desempenho de até 60 FPS. Em última instância, esta é a mesmíssima experiência que o Carlos Silva já escrutinou há um ano na Nintendo Switch e julgou holisticamente na sua análise completa: uma campanha com o selo de qualidade Xenoblade Chronicles que transfere uma parcela das suas fichas da história para a exploração, agora com um acervo de melhorias de qualidade de vida, ajustes gráficos e um epílogo mais satisfatório que justificam o epíteto com que foi lançada na Switch. Simplesmente regressa com os trajes passados a ferro.
No entanto, seria insensato ignorar a diferença que uma
camisa bem engomadinha pode fazer numa pessoa. Nos meus primeiros momentos perante Xenoblade X a 60FPS, julgava-me a mastigar um fruto proibido:
desfrutar uma aventura desta escala com esta fluidez não era um privilégio ao
alcance de qualquer mortal, muito menos daqueles que cresceram acorrentados às
modestas plataformas da Nintendo. Porém, após meia dúzia de beliscões e banhos
de água gelada, posso comprovar que não é uma miragem: Xenoblade X funciona e
deslumbra com esta duplicação de taxa de fotogramas. É surreal, é um deleite de
apreciar, e efetivamente renova o fascínio despoletado pelos mundos da Monolith
Soft para uma nova geração. Não fiquem de pé atrás por aquele “até 60 FPS" no
material promocional da Nintendo, que parece querer obnubilar algum “mas”,
“porém”, ou “todavia”: a taxa de fotogramas mantém-se tipicamente grudada na
sua meta estabelecida, e as raras quedas de fluidez que vivenciamos foram ténues e apenas ocorreram em situações ou ambientes mais
exigentes (como a travessia de New Los Angeles).
Infelizmente, existe de facto um “mas”, mas está noutro
castelo. Nomeadamente, no domínio da renderização dos gráficos. Não será nas
capturas de ecrã desta análise que desvendarão o problema; só em movimento é
que o grande flagelo desta Nintendo Switch 2 Edition dá ares da sua graça.
Talvez, como eu, não se deem conta do problema imediatamente; no entanto, pouco
tardará até que os elementos mais distantes vos saltem à vista enquanto correm
pelos planaltos de Primordia. Árvores, cadeiras, cabos, e outros objetos do
cenário são assolados por um efeito “tremeluzente” (shimmering) altamente
distraidor, tanto mais grave quanto maior a distância e menor a espessura do
objeto.
Especialistas com mais estudos do que eu remetem as culpas
para as técnicas de upscaling e de antialiasing empregues pela
Nintendo. Sobre isso, o humilde redator que vos escreve não pode opinar. Apenas
me apraz afirmar que um lançamento que prometia ser um slam dunk revelou-se
num pau de dois bicos. É um desenvolvimento especialmente lamentável quando nos
lembramos de que a Nintendo disponibilizou atualizações de performance para
Super Mario Odyssey e Super Mario 3D World + Bowser’s Fury, sem problemas a
assinalar e a custo zero. Enquanto isso,
Xenoblade Chronicles X: Definitive Edition – Nintendo Switch 2 Edition exige do
jogador 4,99€ adicionais por “melhorias” similares, embora com níveis de polimento e controlo de qualidade inquestionavelmente inferiores.
Em vez de poderem descolar de uma Definitive Edition para
uma ainda-mais-Definitive Edition de olhos fechados, terão de olhar ao espelho
e pesar os prós e contras com base nas vossas prioridades individuais.
Pessoalmente eu privilegio contagens de fotogramas por segundo superiores, ergo,
não há tremelique de postes e arbustos que me faça prescindir da fluidez extra.
Se porventura o Olho Humano não visse além dos 30 FPS, desceria
no fluxograma de decisão até à ambivalência entre os modos portátil e TV. Em
ecrãs externos, não só o shimmering é menos conspícuo do que em handheld,
mas o aumento da resolução de exibição também é mais pronunciado e consequentemente
diferenciador – tornando o equilíbrio de concessões mais palatável para os
entusiastas de TVs do que para os jogadores do metro e dos tronos
de porcelana. E, claro, nunca deixaria de equacionar o meu (des)apego aos 5
euros de admissão, e a minha propensão para apoiar upgrades gráficos
pagos deste estilo. Façam contas à vida, e chegarão ao vosso veredito – e lembrem-se de que, a qualquer instante, a Nintendo pode lançar uma nova atualização que expie
o infame shimmering. É aí que a Definitive Edition ficará mais Definitiva
do que a própria definição!
Nota: Esta análise foi realizada com base na versão digital do jogo para a Nintendo Switch 2, através de um código gentilmente cedido pela editora.
Autor da Análise: Tiago Sá
Reviewed by Tiago Sá
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abril 10, 2026
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