Já há muito que os fãs pediam um remake da trilogia original de God of War. Esse anúncio acabou por acontecer num recente State of Play, gerando enorme entusiasmo. Como fã da série, faço parte dos muitos que aguardam ansiosamente pelo seu lançamento. Esta revelação não veio só: em simultâneo, foi também revelado God of War: Sons of Sparta, um projeto que promete afastar-se da fórmula tradicional da franquia.
Ao longo dos anos, God of War já explorou diferentes géneros: desde o clássico hack and slash da era PS2 e PSP, até experiências mais alternativas, como títulos mobile, participações em jogos de luta como Mortal Kombat 9 e PlayStation All-Stars Battle Royale, e mais recentemente os jogos com uma forte componente RPG na mitologia nórdica. Desta vez, a aposta recai sobre um formato metroidvania, que, apesar de ser uma abordagem interessante, pode não agradar a todos os fãs.
Vale salientar que esta pré-análise baseia-se apenas nas primeiras duas a três horas de jogo, já que a experiência foi condicionada por um bug grave que impediu a continuação a partir do save mais recente. Este problema obrigou-nos a reiniciar o jogo por duas vezes, levando-nos eventualmente a abandonar a experiência - uma delas antes e a outra depois do lançamento da atualização 1.005. Mediante atualizações futuras do título, poderemos regressar a Sons of Sparta e preparar uma análise final, com uma apreciação global do jogo e uma nota final. Assim, serve esta nota aos leitores para informar do escopo limitado desta proto-análise e, noutro ponto de vista, para advertir consumidores interessados neste spin-off, a quem aconselhamos que se informem acerca do estado dos bugs de dados de gravação do jogo aquando da compra.
Ao contrário do habitual, controlamos aqui um Kratos anterior aos eventos que o tornaram no Ghost of Sparta. Um jovem ainda longe de ser general, mais impulsivo, carismático e claramente mais extremista nas suas ideias. É acompanhado pelo seu irmão Deimos, e a dinâmica entre ambos acaba por trazer uma nova perspetiva à personagem. No entanto, esta versão de Kratos pode soar exagerada em alguns momentos, ao ponto de quebrar a credibilidade e gerar alguma estranheza, através dos seus diálogos estranhos e situações que coloca "em cima da mesa".
Em paralelo, ouvimos um Kratos mais velho a narrar esta história à sua filha, Calliope. Estes momentos introduzem um contraste interessante, mostrando um lado mais humano e reflexivo da personagem, algo raro na sua representação, e acrescentando alguma profundidade à narrativa.
Em termos de estrutura, o jogo segue a fórmula clássica dos metroidvania. O mundo é composto por várias camadas interligadas, com progressão vertical, caminhos bloqueados e múltiplos segredos para descobrir. Ao longo da aventura, desbloqueamos habilidades e acessórios que permitem aceder a novas áreas e ultrapassar obstáculos anteriormente inacessíveis.
O combate, por outro lado, é significativamente mais simples do que aquilo a que a série nos habituou. Os combos são básicos e carecem de profundidade. Para além dos ataques normais, é possível esquivar, defender e aparar golpes no momento certo. Existe também uma barra de energia que permite executar ataques especiais, aumentando temporariamente a eficácia ofensiva e regenerando vida ao atingir inimigos. Ainda assim, tudo isto acaba por parecer limitado quando comparado com outros títulos da franquia.
A progressão mistura elementos da trilogia clássica, como a acumulação de red orbs, com sistemas mais próximos de RPG, permitindo desbloquear habilidades, melhorar equipamento e revelar itens escondidos pelo mapa. É uma abordagem híbrida que funciona, mas que não se destaca particularmente.
Do ponto de vista técnico, o jogo apresenta um desempenho estável e consistente, sem problemas de performance relevantes durante estas primeiras horas. Já a componente sonora revela-se mais inconsistente. A banda sonora, apesar de competente, afasta-se bastante da identidade típica de God of War, optando por uma abordagem mais alinhada com estilo chiptune, o que pode não agradar a todos os fãs da série.
Um dos pontos mais negativos é a dobragem. Apesar de todos os diálogos serem falados, a qualidade da interpretação é fraca, com falta de emoção e de química entre as personagens. Em vários momentos, os diálogos tornam-se artificiais e até embaraçosos, prejudicando a imersão.
No final, fica também uma questão importante: até que ponto este jogo beneficia realmente de carregar o nome God of War? A sensação que fica é que, se tivesse outro nome e não estivesse associado a uma franquia tão forte, seria provavelmente um jogo mais irrelevante no panorama atual.
Conclusão
God of War: Sons of Sparta apresenta uma ideia interessante ao transportar a franquia para o formato metroidvania, mas a execução está longe de corresponder ao peso do nome que carrega. Há uma base funcional, um mundo com potencial para exploração e um conceito que poderia resultar, mas rapidamente se torna evidente que falta profundidade, sobretudo no combate e na construção geral da experiência. Os problemas técnicos iniciais, nomeadamente o bug associado aos saves, acabam por comprometer seriamente a progressão e a vontade de continuar a jogar. A isto junta-se uma dobragem fraca e pouco convincente, que prejudica a imersão e enfraquece a ligação às personagens.
Apesar de apresentar um desempenho estável a nível técnico e uma abordagem diferente à fórmula tradicional, a sensação que fica é que este projeto não consegue justificar totalmente a sua existência dentro da franquia. Falta-lhe identidade própria e, mais importante, falta-lhe o impacto que se espera de um título com o nome God of War. Neste momento, e com base nas primeiras horas de jogo, estamos perante um título com potencial, mas que dificilmente se destaca num mercado já saturado de metroidvanias. Resta perceber se haverão correções do bug e o restante jogo nos faz mudar de opinião em relação a alguns problemas ou se esta será apenas uma experiência esquecível dentro de uma das maiores séries da indústria.
Reviewed by Carlos Cabrita
on
março 20, 2026
Rating:










Sem comentários: