Saquem dos
chapéus, saquem dos balões, saquem de um bolo com forma de Pikachu e saquem das
faixas.
Pokémon está de parabéns este ano! São 30 anos a entreter
crianças, desde as mais pequenas às maiores (como eu). São 30 anos de aventuras
memoráveis, de encontros entusiasmantes e de batalhas inesquecíveis. E qual é a
melhor maneira de celebrar a ocasião? Com o re-regresso de dois clássicos
inesquecíveis, pois claro! Sim,
Pokémon FireRed & LeafGreen estão de
volta, com lançamentos para a mais recente consola híbrida da Nintendo. Mas
estaremos perante um regresso de um filho pródigo, ou de uma peste que devia
ter ficado no passado?
Em
Pokémon
FireRed & LeafGreen assumimos o papel de uma criança que vive numa
pequena vila. Quando, um dia, decidimos aventurar-nos um pouco mais do que
devíamos, somos parados pelo Professor Oak, que decide dar-nos o nosso primeiro
Pokémon.
Ao mesmo tempo,
o seu neto e nosso arquirrival também recebe o mesmo presente, e somos ambos
instigados a explorar o mundo e completar o PokéDex – uma espécie de
enciclopédia de todos os Pokémon que existem e vivem na região de Kanto. E
assim partimos numa aventura que nos leva a conhecer e apanhar todos os
Pokémon, a derrubar uma misteriosa organização criminosa e a tornarmo-nos o
melhor treinador de Pokémon da nossa região.
Para aqueles
que, como eu, acompanham as aventuras de Pokémon desde o primeiríssimo jogo
alguma vez lançado, nada aqui vos surpreenderá. A história de
FireRed &
LeafGreen leva-nos a viajar por todo Kanto, derrubar líderes de ginásios,
cada qual especializado num tipo de Pokémon e, derradeiramente, conquistar a liga
e colocarmo-nos no topo da cadeia alimentar dos treinadores.
Mas falta de
surpresa não significa falta de qualidade, bem longe disso. Esta aventura
clássica continua a ser imensamente prazerosa. É aqui que encontramos o melhor
grupo criminoso de todas as nove gerações, sendo o que mais problemas causa na
sua respetiva região. É também aqui que encontramos o melhor rival de todos os
jogos
Pokémon, cuja atitude altiva e condescendente já me levou tantas
vezes a usar impropérios no seu nome.
Nesta altura do
campeonato, já vivenciei esta aventura umas dezenas de vezes. Sim, dezenas, no
plural. Aliás, começa a ser tradição voltar a dar uma voltinha por Kanto uma
vez a cada dois ou três anos. E mesmo conhecendo os “Kantos à casa” melhor do
que conheço os cantos à minha própria casa, é sempre um prazer enorme regressar
a onde já fui feliz. Mas agora, e pela primeira vez na vida, tive a
oportunidade de o fazer com um comando na mão e a olhar para uma televisão. E
raios me partam, se isso não me fez estupidamente feliz durante as 26 horas que
durou esta aventura.
Este é mesmo um
dos pontos altos da minha reexperiência com
FireRed & LeafGreen. Explorar
Kanto, apanhar Abras e Magikarps e admirar a inabalável confiança do meu rival depois
de limpar o chão com a sua equipa pela enésima vez – é a primeira vez que tenho
a oportunidade de fazer tudo isto numa televisão, com uma consola de casa. É
algo que deixaria a minha versão com 10 anos a saltar de entusiasmo. E, mesmo
estando já na casa dos 30, foi algo que me encheu de uma enorme alegria
juvenil.
De resto, é
Pokémon
FireRed & LeafGreen tal como os conhecemos. Os mesmos 151 Pokémon para
encontrar, capturar e treinar, e o mesmo sistema de combate por turnos com
forças e fraquezas relacionadas com as tipologias. Os mesmos cenários numa
pixel
art colorida e vibrante, e a mesma música que marcou toda uma geração de
jovens jogadores. Os desenhos dos Pokémon são alguns dos melhores que
encontramos em todas as gerações, e a banda sonora é exímia. Já o eram em 2004,
e assim continuam em 2026. O desenrolar da narrativa é exatamente igual,
pegando na base que encontramos nos
Red & Blue originais, com algum
conteúdo extra metido à mistura.
E é aqui que
começa alguma ambivalência face a esta experiência. Não me interpretem mal, a
narrativa é bastante cativante, e até tem menos picos repentinos de dificuldade
graças a um item maravilhoso chamado VS Seeker, que permite voltar a batalhar
treinadores já derrotados. Mas é no conteúdo que se acrescentou face a
Red
& Blue que começam os pontos negativos. As ilhas extra-Kanto continuam
a acrescentar muito pouco ao jogo, com mini narrativas profundamente
desinteressantes. Também as batalhas aí presentes se apresentam muito pouco
desafiantes tendo em conta a altura do jogo em que este contudo surge.
Graças a estas
adições, o conteúdo pós-jogo até é pior do que o que encontramos em
Red
& Blue. Nesses originais, bastava derrotar a Pokémon League, e lá íamos
nós para a Cerulean Cave à caça do derradeiro Pokémon lendário do jogo. Aqui, temos
de obter o National Dex, dar mais uma voltas numas ilhas extra-Kanto, e só
depois desses passos enfadonhos é que podemos ir para a última caverna do jogo.
Ter de dar estes passos extra recordou-me porque é que ignoro o conteúdo
pós-jogo sempre que rejogo
FireRed & LeafGreen.
Tudo bem,
trata-se da migração quase
ipsis verbis destes jogos do GameBoy Advance
para a Switch 2. Por um lado, entendo que tenham deixado tudo como estava. Por
outro, não consigo deixar de ver este lançamento como uma oportunidade perdida
para melhorar algumas coisas nestes tão adorados títulos.
Tornar o
conteúdo extra mais apelativo é uma dessas coisas – a mais gritante, até. Mas a
implementação de mecânicas dos jogos mais modernos também seria muito bem-vinda.
Por exemplo, a questão de os ataques usarem as estatísticas físicas ou
especiais consoante a lógica dos mesmos, e não meramente consoante a sua
tipologia. O alargamento do leque de Pokémon das segunda e terceira gerações
também seria positivo, uma vez que os que se encontram no pós-jogo mal
justificam a existência de um National Dex.
Também gostaria
muito que estas versões de
FireRed & LeafGreen incluíssem outras
maneiras de jogar. Por exemplo, se tivesse sido implementado um modo
permadeath
ao estilo Nuzlocke, os jogadores mais habituados a estas andanças (como eu, e
uns quantos milhares de jogadores) encontrariam aqui uma ótima maneira de se
porem à prova e seriam obrigados a novas opções estratégicas. Ou modos em que o
jogo corresse a diferentes velocidades, de modo a tornar algum
grind que
ainda é preciso fazer nestes títulos menos entediante.
E já que estou
nesta onda, a inclusão de algumas ferramentas dos emuladores incluídos na
Nintendo Switch Online também seriam uma adoção interessante. A opção de criar
save
states, ou de voltar um pouco atrás no tempo seriam muito bem-vindas.
Sobretudo tendo em conta que abati os dois Snorlax que existem sem querer,
depois de dois ataques críticos com os quais não contava.
Havia aqui
tanto que podia ter sido feito para tornar estes jogos mais que perfeitos! É
uma pena que quase nada tenha sido feito. E digo quase, porque há algo de novo
nestas versões: os eventos de lendários de outras gerações.
Antigamente,
estes eventos só podiam ser acedidos por vias manhosas ou atendendo eventos
presenciais que tiveram lugar no período de vida útil destes jogos. Mas nestas
versões, recebemos automaticamente os itens para ir apanhar Lugia, Ho-oh e
Deoxys depois de recebermos o National Dex. Foi a primeira vez que experienciei
estes eventos, deixando-me tão alegre como surpreendido quando me apercebi
desta possibilidade.
No final de
contas, estamos perante
Pokémon FireRed & LeafGreen quase exatamente
como os lembramos. Todas as forças e fraquezas destes títulos estão cá agora,
tal como estavam em 2004. E sabem que mais? No final de contas, esta continua a
ser uma ótima experiência, à qual continuarei a regressar com um sorriso parvo
na cara de tempos a tempos.
Conclusão
Pokémon
FireRed & LeafGreen na Nintendo Switch 2 são exatamente o que estão à
espera. São
ports bem-conseguidos dos primeiros
remakes da
geração original, contendo uma aventura cativante com algumas das melhores
personagens de toda a história desta franquia. Fica a sensação de que se podia
fazer mais ou tornar algum do conteúdo mais interessante, mas durante as 25
horas de jogo apenas sentia felicidade por estar a jogar este enorme clássico
na televisão e com um comando na mão. É quase um sonho de infância tornado
realidade, portanto façam-nos o favor de arranjar uma maneira de experienciar
HeartGold e
SoulSilver do mesmo modo.
O Melhor:- Uma aventura clássica com o melhor rival, os
melhores antagonistas e uma lore riquíssima
- Jogar Pokémon em 2D numa televisão é um
sonho
- Os melhores designs e das melhores bandas
sonoras de toda a série
- A inclusão surpresa dos eventos lendários é
muito bem-vinda
O Pior:
Sem comentários: