Nexomon [PS5] - Vamos Domá-los Todos!


A série Pokémon continua tão popular como sempre, e é natural que os jogadores de outras consolas que não as da Nintendo tenham desejos de experiências semelhantes. Nos últimos tempos, temos visto algumas dessas experiências alternativas a chegar à PlayStation, incluindoNexomon: Extinction no ano passado. Após uma boa receção desse título, os produtores decidiram lançar o primeiro jogo desta série, dando aos jogadores a oportunidade de conhecerem toda a história deste universo. Mas será Nexomon uma experiência capaz de nos capturar, ou apenas uma cópia barata?
 

Em Nexomon, encontramos um mundo onde a humanidade vive em paz com várias criaturas chamadas Nexomon, paz essa obtida quando, séculos antes, um domador lendário derrotou o temível rei dos monstros e os seus filhos. Mas agora, essa paz está a ser ameaçada, quando o novo Nexolord, o domador mais poderoso do mundo, começa a raptar inúmeros cientistas e os obriga a trabalhar para um objetivo sombrio. É aqui que entramos. Assumindo o papel de um(a) jovem que inadvertidamente se torna um(a) domador(a), sentimo-nos compelidos a investigar as intenções do Nexolord e pôr um termo nos seus planos devastadores. A premissa parece algo séria e simples, mas pese embora os contornos narrativos acabem por ser ligeiramente mais pesados dos que costumamos encontrar neste subgénero de RPGs, estamos perante um argumento genuinamente engraçado, que quebra expectativas. Neste aspeto, é daqueles jogos nos quais vale a pena ler todo o texto, inclusive os oferecidos pelos NPCs espalhados pelo mundo.
 
De resto, Nexomon é praticamente igual aos jogos da série principal de Pokémon em tudo o resto. Temos vários monstros para capturar, treinar e fazer evoluir. O sistema de combate é por turnos, com cada monstro a apresentar um máximo de quatro ataques. Apenas podemos trazer connosco 6 nexomon de cada vez. Cada nexomon apresenta uma natureza, cada qual forte ou fraca contra algumas das outras. O mundo apresenta-se em 2D e a navegação pelo mesmo decorre visto de cima, com movimentos apenas a poderem ser executados na vertical ou na horizontal. Os nexomon encontram-se escondidos nos vários bocados de relva espalhados pelo mundo, ou dentro de grutas e outros espaços específicos. Existem até líderes em cada grande área do mundo, que teremos de combater e derrotar por estarem associados ao antagonista da narrativa, associação essa o único detalhe que os distingue minimamente dos líderes de ginásio encontrados em Pokémon.
 

Portanto sim, Nexomon é um clone de Pokémon, e não o tenta esconder. A verdade é que as mecânicas já descritas estão testadas pelo tempo e são comprovadamente apelativas, e quando aplicadas a Nexomon esse facto mantém-se. Capturar e evoluir novos monstros é sempre divertido, descobrir aleatoriamente um monstro lendário é entusiasmante, e algumas das batalhas oferecem momentos verdadeiramente desafiantes. Mas a verdade é que Nexomon é um jogo notavelmente menos polido do que os da série que o inspiram. A estatística da velocidade dos monstros parece ser irrelevante, já que os nossos nexomon atacam sempre primeiro, sem exceção. As aflições como veneno ou confusão afetam-nos duas vezes por turno (uma ao atacar, e outra depois do ataque adversário). E mesmo alguns dos ataques parecem ser aprendidos por todos os nexomon consoante a sua natureza, havendo aqui pouca variedade.
 
Mesmo em comparação com a sequela Nexomon: Extinction podemos encontrar algumas diferenças. Para começar, existem menos duas naturezas de nexomon, pelo que a componente estratégica deste título se apresenta muito menos profunda, sobretudo se tivermos em conta a pouca variedade de ataques já aludida. Depois, o método de captura é muitíssimo mais básico, havendo apenas uma armadilha base e uma com 100% de eficácia, não havendo grande controlo sobre as probabilidades de captura para além do tentar reduzir a vida do monstro selvagem. Mesmo a interação com os elementos do mundo apresenta-se mais básica, não havendo habilidades que nos permitam destruir detritos ou navegar pela água, sendo que a maneira que o jogo tem de nos impedir de ir por caminhos errados é através de mensagens de texto ou de falas de uma personagem que nos acompanha na aventura.
 
No entanto, há alguns aspetos positivos que destacam esta experiência, tanto da sua sequela como da série Pokémon. Em Nexomon, os ataques que os nossos monstros aprendem nunca são completamente perdidos, podendo ser equipados consoante o momento do jogo em que nos encontramos e os nossos objetivos imediatos. Temos a destacar a variedade de monstros que podemos encontrar e combater. No total, são 310 nexomon, a vasta maioria dos quais são únicos a este título. Para além dos lendários, que também estão presentes em Extinction por motivos narrativos, são pouquíssimos os monstros que se apresentam em ambos os jogos desta série. Para terminar este ponto, é impossível não destacar o pós-jogo de Nexomon. Este apresenta uma narrativa igualmente cativante, as batalhas mais desafiantes do jogo, algumas mecânicas novas que nos ajudam a tornar os nossos monstros mais poderosos e a apanhar todos os nexomon presentes neste título.
 

Olhando para aspetos mais técnicos, comecemos pela vertente gráfica de Nexomon. O jogo apresenta uma direção artística apelativa e colorida que assenta muitíssimo bem no tom desta aventura. Os designs das várias centenas de monstros são também muito bem conseguidos, evidenciando um nível de criatividade louvável. As animações programadas e cinemáticas que ocorrem no mundo estão igualmente muito bem conseguidas, mas o jogo falha um pouco nas animações de combate. Os monstros mexem-se de forma demasiado repetitiva e formatada, enquanto os ataques apresentam animações demasiado básicas e simplistas para se destacarem.
 
Mas no que toca à vertente visual do jogo, o maior pecado acaba por ser cometido pela interface de utilizador. Tratando-se este de um jogo adaptado de um lançamento mobile, não podemos deixar de reparar no reflexo que este facto tem na interface do jogo. Tanto em combate como no mundo, o ecrã apresenta vários ícones que parecem estar a pedir para serem clicados. O acesso aos itens tem um ícone específico separado de todas as outras opções úteis que se encontram contidas num menu. Mas o pior é em batalha, quando a seleção de ataques é feita através de um cursor cujo posicionamento tapa a stamina dos nossos monstros, informação importante que, tal como em Extinction, aqui substituem o sistema de PP dos ataques presente em Pokémon. Fica a clara impressão de que a adaptação da interface de utilizador foi simplesmente descuidada e desatenta, talvez até apressada.
 
Por outro lado, temos a vertente sonora do jogo, que apresenta um nível de qualidade elevadíssimo. Cada região do mundo tem o seu tema distinto, alguns dos quais nos ficaram na cabeça durante algum tempo. Embora seja a mesma presente em Nexomon: Extinction também temos de considerar que a música de batalha está bem produzida ao ponto de nunca se tornar aborrecida. Para terminar este ponto, há que referir que os rugidos dos nexomon e vários outros efeitos sonoros do jogo apresentam uma qualidade consistente, desempenhando as respetivas funções de forma bastante satisfatória.


Já no que diz respeito ao desempenho do jogo, não há aqui nada a apontar. Não nos deparámos com um único soluço no que à taxa de fotogramas por segundo concerne. As animações das sequências cinemáticas e nas batalhas foram sempre suaves, e o jogo respondeu sempre bem e atempadamente a qualquer input. Mesmo os tempos de carregamento foram sempre curtos, como seria de esperar de um jogo tão pouco exigente. Se há algo a lamentar, por muito minucioso que seja, é o facto de a versão PS5 de Nexomon não ter incorporado qualquer funcionalidade específica do DualSense, o que poderia ter sido interessante, por exemplo, na busca por monstros ainda por capturar para completar a nossa base de dados.
 
Terminemos com o endereçar da situação algo estranha na qual nos encontramos. Jogar Nexomon depois da sua sequela não é o ideal, uma vez que Extinction se apresenta como bastante mais único e como uma evolução significativa do original. Assim, somos colocados numa posição onde as comparações foram inevitáveis, mas injustas para com este título. Porque este é um jogo de qualidade e que proporciona uma experiências divertida e prazerosa, ficando aquém da sua sequela sobretudo devido à experiência ganha e ao feedback obtido com este trabalho.
 
Assim, concluímos com dois apelos: primeiro, que não deem tanto peso à nota aqui atribuída, que terá de ter em conta a comparação com a sequela e que, obrigatoriamente, tem de ser inferior à que atribuímos a Extinction há mais de um ano. Se gostam de Pokémon, experimentem este jogo, independentemente das classificações finais que virem, aqui ou noutro lado. O segundo apelo é que joguem também a sequela de Nexomon, para que possam apreciar a evolução que esta série está a evidenciar melhor do que nós fomos capazes.
 

Conclusões
Nexomon apresenta-se como uma alternativa interessante à série Pokémon, pese embora seja claramente de qualidade inferior. As mecânicas de captura e batalha de monstros serão familiares e quase tão divertidas como as dos jogos mais popular, com este jogo a apresentar algumas ideias refrescantes e uma narrativa bastante cativante. A falta de polimento em várias vertentes da experiência prejudica este jogo, mas se é um clone de Pokémon que procuram, são pouquíssimas as ofertas tão fiáveis como esta.

O Melhor:
  • Narrativa bem conseguida, bem escrita e apelativa, e com um pós-jogo robusto
  • Mais de 300 criaturas para capturar e treinar, quase todas diferentes das presentes na sequela
  • Direções artística e sonora de elevada qualidade

O Pior:
  • Interface de utilizador mal adaptada a consolas
  • Jogabilidade praticamente idêntica à da série Pokémon, mas menos polida
  • Pouca profundidade estratégica para o género
 
Pontuação do GameForces – 6.5/10
 
Título: Nexomon
Desenvolvedora: VEWO Interactive
Publicadora: PQube
Ano: 2021

Nota: Esta análise foi realizada com base na versão digital do jogo para a PlayStation 5, através de um código gentilmente cedido pela PQube.

Autor da Análise: Filipe Castro Mesquita

Nexomon [PS5] - Vamos Domá-los Todos! Nexomon [PS5] - Vamos Domá-los Todos! Reviewed by Filipe Castro Mesquita on outubro 09, 2021 Rating: 5

Sem comentários:

Com tecnologia do Blogger.