Tales of Arise [PS5] - A Desejada (R)Evolução




Tudo o que tem um início, tem um fim. Esta é uma certeza que muitos de nós aprende por si próprio durante a vida e extensível à transversalidade da nossa existência. Desde os aspectos mais mundanos aos mais importantes, apercebemo-nos que existem ciclos que regem a nossa existência. Também nos videojogos esta verdade é aplicável. É claro, para os jogadores mais assíduos, o começo destes ciclos nos mais díspares dos géneros existentes. Os RPGs, em particular os de origem asiática, tem apresentado uma evolução bastante progressiva. É claro o surgimento de novos subgéneros ou misturas com outros géneros, no sentido de potenciar a atracção dos jogadores mais recentes e manterem-se actualizados com as dinâmicas e tendências mais actuais do mercado.

Tales os Arise apresenta fortes influencias desta necessidade de evolução: Uma série que mantinha as mesmas mecânicas de jogo, estilo gráfico ou mesmo o motor de jogo desde os tempos da PlayStation3. Finalmente a Bandai arriscou nesta nova geração em dar o próximo passo e tentar encontrar o futuro para onde seguir com uma das suas series de maior renome.

Após experimentar este título, não podemos afirmar estarmos perante uma revolução (seria esse o objectivo da produtora?). Existe uma clara evolução da fórmula existente, mas apresenta contornos mais como uma evolução sustentada na sólida formula já extensamente reconhecida desta série.




Este aspecto advém do facto dos pilares da experiencia permanecerem os mesmos na sua essência. Um desses pilares (e possivelmente o mais associativo à série) é a sua arte conceptual e grafismo. Em Tales of Arise, a alteração para o Unreal Engine, denota um claro melhoramento sobre o motor gráfico anteriormente utilizado. Agora estamos perante cenários mais profundos, com um melhor nível de aprestamento e com personagens mais detalhadas que em qualquer outro título da série. Tudo isto, enquanto mantendo o mesmo conceito artístico. Certamente um eye candy para os utilizadores mais recentes e uma boa homenagem aos fãs de longa data. Consequentemente a direcção artistica permanece igual a si própria, denotando a existencia de uma clara continuidade do conceito previamente existente.

Em termos de prestação gráfica o título apresenta dois modos que cada vez se tornam mais típicos no panorama actual de lançamentos em consolas: Modo Fidelidade e Modo Performance. O primeiro considera uma resolução a 4K e 60 fotogramas por segundo, enquanto o segundo considera uma resolução de cerca 1620p a uma taxa mais estável. Durante uma considerável parte do jogo não notamos grandes diferenças entre ambos os modos, exceptuando nas ocasiões em que existem mais elementos gráficos no ecrã no modo fidelidade. Principalmente durante algumas lutas nota-se uma clara redução da taxa de fotogramas, mas que não deteriora a experiência significativamente. Portanto, independentemente da opção, o jogo apresenta uma experiência bastante cativante e polida, viabilizando ambas as opções disponiveis. 




Outra particularidade associativa a esta série são os famosos “Skits”. Estes eventos, que decorrem durante o jogo, introduzem diversas personagens a interagir entre si, providenciando animadas conversas que ajudam a aprofundar a sua caracterização, enquanto potenciando elementos mais superficiais do enredo. Em Tales of Arise, estas pequenas interacções são completamente reformuladas, para um aspecto mais similar a uma banda desenhada tornando-se significativamente mais gratificante a sua visualização e consequente interiorização da experiência.

Efectivamente a componente Audiovisual reformulada é um deleite para o jogador. Não somente no grafismo, como a sua banda sonora. Esta em particular revelou-se sempre bastante cativante, ajudando a englobar a experiencia como um todo e apresentando-a numa forma significativamente mais aprazível ao jogador. Em particular, 2 ou 3 melodias, seguramente ficarão na memória do jogador!




O segundo pilar desta série, que também aqui conta com uma evolução natural e de acordo com as dinâmicas actuais é a jogabilidade e evolução de personagens. Tales of Arise é, para todos os efeitos caracterizado como um “Action-RPG”, seguindo a premissa de anteriores títulos. Contudo, denota-se uma maior facilidade em executar as técnicas ou magias, visto estarem associadas a botões únicos no comando. Naturalmente o jogo introduz algumas combinações e premeia quem conseguir executar combinações com danos de maior nível. Mesmo essas combinações são mais intuitivas que os predecessores, pelo que se denota um cuidado de valor em tornar mais intuitiva a jogabilidade como um todo.

Contudo, o maior aspecto que salientamos no que se refere à jogabilidade é a excelente forma de como é possível definir a prestação dos nossos colegas de equipa, através de ordens do tipo “Se…Acontecer Isto…Então…Faz Aquilo”. Isto permite afinar com muito maior exactidão as acções de cada membro e relegar para segundo plano alguns aspectos da batalha.

Exemplificando, podemos criar uma ordem onde cada vez que surjam mais que 4 inimigos simultaneamente, seja logo lançado um feitiço que aumente a nossa força. Outro exemplo é a possibilidade de ajustar a percentagem de vida a partir da qual o nosso healer lance os feitiços de cura. A IA do jogo funciona perfeitamente e é frequente notarmos que os colegas de equipa conseguem derrotar inimigos eficazmente sem qualquer ajuda da nossa parte. Adicionalmente o jogo conta com algumas estratégias padrão, que os jogadores poderão utilizar, se não quiserem estar a perder tempo com esta componente.




Esta mecânica facilita bastante o nosso jogo, contudo existe um elemento que não podemos deixar de salientar relativo ao estranho balanceamento da dificuldade. Se por um lado as boss fights estão perfeitas, levando ao limite a nossa equipa e utilização das mecânicas de jogo...por outro, alguns inimigos básicos, quando em conjunto, podem tornar-se um problema. Nomeadamente, os grupos de inimigos que lançam feitiços são muito difíceis de conseguir parar. Somente se fizermos stagger ou utilizar o nosso próprio mage (o que obriga a tê-lo sempre na equipa). Para ambas as soluções temos de utilizar artes de maior porte para conseguir quebrar o ciclo. A alternativa de fazer esquiva também não é sempre fiável, devido às longas animações dos ataques que não permitem fugir a tempo da enxurrada de feitiços lançados na nossa direcção!

Este aspecto leva-nos a outro ponto essencial desta experiência. Comparativamente a outros títulos da mesma série, Tales of Arise revela-se com uma dificuldade bem acima da média. Mesmo para quem procure cumprir todas as actividades adicionais ou não fugir de lutas, estaremos sempre numa situação de necessidade em dar o nosso melhor. Consequentemente nunca nos sentimos numa posição de “poder” perante o inimigo. Este aspecto leva a equacionar que o modo “Normal” (aquele que passamos todo o jogo) poderá ser contra indicado para jogadores mais casuais. Efectivamente o modo “Fácil” poderá revelar-se muito mais indicado a quem pretende somente disfrutar da história e de um desafio “médio” no que se refere à jogabilidade.




O Terceiro e último pilar de Tales of Arise é o seu enredo e caracterização de personagens.
As personagens introduzidas estão perfeitamente caracterizadas quer visualmente, quer em termos psicológicos. Convenhamos que a produtora não fugiu muito dos estereótipos de um JRPS, mas estas conseguem ainda assim ser memoráveis para o jogador. Este aspecto é potenciado por uma prestação dos actores que dão a voz a estas, bastante competente na generalidade (embora se note uma clara melhoria na versão japonesa).

A história em si decorre em dois mundos bem diferentes: o medieval de Dahna e o mundo avançado de Rena. À três séculos, os Renans invadiram e conquistaram Dahna, escravizando a sua população e dividindo a terra em cinco nações isoladas (cada uma governada por um Lorde). A cada 10 anos ou menos, o próximo soberano Renan é escolhido entre um dos cinco lordes que competem entre si pela posição. O jogo segue as aventuras de Alphen, um homem Dahnan sem memórias de seu passado, cuja cabeça está coberta por uma máscara de ferro e de Shionne, uma foragida Dahnan com poderes misteriosos que se alia a Alphen para derrubar os lordes. Durante a sua demanda irão encontrar diversos aliados e associarem-se a diversos movimentos de resistência que procuram a liberdade do povo escravizado.

Não é portanto uma história original, mas revela-se cativante, apresentando um pacing sólido e capaz de captar a atenção do jogador ao longo das longas horas de jogo. Ainda assim, o setting do mundo é bastante interessante, onde as 5 regiões apresentam características bem diferentes entre si (em termos de ambiente e estado social). O facto de termos sempre o mundo de Rena nos ceus dos nossos cenários também ajuda a criar uma sensação de opressão perante a nossa tentativa de liberdade!




Para finalizar deixamos uma nota de outro ponto que consideramos que poderia ser melhorado: a variedade de inimigos.

Cada região/masmorra só introduz no máximo dois/três novos tipos de inimigos. Este efeito cria uma sensação de saturação de estar constantemente lutar contra os mesmos (ou versões de monstros anteriores, mas com uma palete de cores diferente).
O jogo faz um óptimo trabalho em criar diversos tipos de inimigos. Alguns são mais defensivos, outros mais ágeis ou outros baseiam-se muito em ataques à distância. Contudo gostaríamos de ver mais que lobos de fogo, lobos de gelo, lobos de agua (estão a ver a ideia?)!

Salientamos ainda que, cada aliado tem um inimigo que é a sua especialidade. Este aspecto leva à necessidade de objectivar uma equipa equilibrada, visto que nunca se saberá quando precisaremos daquele aliado em particular numa dada zona (inclusive, podemos alternar os aliados presentes, a meio de uma batalha).



Conclusão

Tales of Arise é uma clara evolução da formula da série, contando com cenários mais profundos e um grafismo que respira novidade! A jogabilidade mais intuitiva, associada a uma IA bastante competente, permite disfrutar de uma experiência que enaltece a interiorização do enredo e personagens deste mundo.
Ainda que apresente um nível de dificuldade acima da média da série, o desafio apresentado revela-se gratificante para o jogador, pois a sensação recorrente é de justiça no resultado dos nossos esforços.

O futuro é brilhante e Tales of Arise, poderá muito bem ser o título que elevará esta franquia aos patamares mais elevados do mercado dos vídeo jogos, numa merecida posição de maior destaque e reconhecimento.




O Melhor:
  • Grafismo revolucionário da série;
  • Dinâmicas de combate;
  • Enredo e caracterização das personagens.

O Pior:
  • Diversidade de Inimigos deixa algo a desejar;
  • Alguns picos de dificuldade isolados que podem apanhar o mais desprevenidos.


Pontuação do GameForces – 9.0/10


 
Título: Tales of Arise
Desenvolvedora: 
Bandai Namco
Publicadora: 
Bandai Namco
Ano: 2021


 

Tales of Arise [PS5] - A Desejada (R)Evolução Tales of Arise [PS5] - A Desejada (R)Evolução Reviewed by Carlos Silva on setembro 30, 2021 Rating: 5

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