[Análise] Children of Morta [PS4]




Qualquer jogador reconhece a importância da capacidade de um título conseguir captar a sua atenção e assegura-la durante as diversas horas da sua duração. Children of Morta, ainda que apresentando uma premissa pouco inovadora na sua jogabilidade, conta com um “Story Telling” do mais cativante que tivemos a oportunidade de experimentar nos últimos tempos. Efectivamente, a sensação transmitida é de estarmos a experienciar um conto fantástico, ao invés de estarmos a jogar um vídeo jogo.

Ainda que a história não seja completamente inovadora, a maneira como é apresentada, o seu enredo e caracterização de personagens deixam o jogador agarrado a esta experiência durante horas a fio. A narração, setting e jogabilidade são efectivamente as mais-valias que combatem a repetividade de título do género “Rogue Like”.



Children of Morta caracteriza-se como um Rogue Like com elementos de acção/slashing, que conta as aventuras da família “Bergson”, um espécie de protectores da terra que vivem no sopé do Monte Morta. A história conta as façanhas de cada elemento da família, na sua investigação das cavernas e níveis que decompõem esta aventura, procurando descobrir a origem do mal que se abateu sobre este local mal e como derrota-lo. Existe uma activa interacção entre cada membro, não somente na casa da família onde podemos aprimorar as nossas habilidades e desbloquear mais benefícios, como durante as missões nas masmorras.

A jogabilidade é típica de um “Action RPG”, com elementos de Rogue Like, onde temos de percorrer diversos níveis e masmorras, lutando com hordas de inimigas, alguns mini bosses e um boss final no último nível da masmorra. Para isso contamos com diversas personagens, cada uma com um conjunto independente de habilidades, características e jogabilidade bem distintas. Existem ainda habilidades ao nível familiar que afectam todas as personagens de igual modo. Fundamentalmente, podemos considerar que as típicas classes de heróis (desde monge, assassino até ao mago) estão todas presentes com a possibilidade de serem escolhidas, permitindo jogabilidades variadas e refrescantes. O próprio jogo conta com um sistema de corrupção, que ocorre quando se abusa do uso de uma personagem, promovendo a experimentação de outras classes, enquanto as primeiras recuperam.



Graficamente o título conta com belos cenários e modelos em arte pixelizada, que por vezes nos deixam a admirar o trabalho feito. A banda sonora e música estão bastante competentes, no sentido de ajudar a criar e aprofundar o ambiente e setting do jogo, ainda que pouco memoráveis.

Sendo um jogo baseado num procedimento procedural, a criação dos diversos níveis de cada masmorra está bastante competente, com poucas áreas vazias ou desconexas do resto do mapa e inimigos/itens numa proporção e localização propicia a possibilitar uma boa evolução da história e jogabilidade. Este aspecto, em particular, consideramos ser tecnicamente a grande valência do jogo. Queremos com isto dizer que o equilíbrio entre a narração da história, a evolução da dificuldade e jogabilidade, quando dependente de uma geração, para todos os efeitos, aleatória, é frequentemente o “calcanhar de Aquiles” deste tipo de jogos. Felizmente, Children of Morta, consegue equilibrar estes diversos aspectos de uma forma suberba.



Contudo, o jogo desenvolvido pela Black Mage, não é isento de problemas. Por vezes o processo de repetir diversas vezes o mesmo nível, ainda que com masmorras geradas diferentes,  poder-se-á tornar frustrante, pois as masmorras tendem a tornarem-se muito extensas. O facto de algumas personagens tornarem-se corrompidas obriga-nos a jogar muito tempo com outras menos desenvolvidas ou que não se adequam muito ao nosso estilo de jogo. Este aspecto leva a que acabamos por usa-las demasiado com o intuito de “passar tempo “ e recuperar algum dinheiro, sem nunca o verdadeiramente objectivar a  derrota do boss final. Notamos de igual modo um leve desequilíbrio na evolução da dificuldade entre masmorras.





Conclusões
Children of Morta é um excelente Rogue Like que proporciona aos jogadores uma experiência cativante e recompensadora. Ainda que a progressão nos níveis tenha algum desequilíbrio no nível de dificuldade, não é o suficiente para afastar quem tenha interesse em experimentar esta obra. Se gostarem de arte pixelizada, um bom Story telling e a simplicidade do género é um dos melhores a apostarem agora.


O Melhor:
  • Geração procedural  muito bem implementada;
  • Bela arte pixelizada,
  • Narrativa cativante;


O Pior:
  • Obrigação que as mecânicas de jogo impõem em utilizar todas as personagens;
  • Masmorras podem-se tornar demasiado compridas;




Pontuação do GameForces - 7.5/10




Título: Children of Morta
Desenvolvedora: Dead Mage
Publicadora: 11 bit Studios
Ano: 2019


Nota: Esta análise foi realizada com base na versão digital do jogo para a Playstation 4, através de um código gentilmente cedido pela 11 bit Studios.

Autor da Análise: Carlos Silva 
[Análise] Children of Morta [PS4] [Análise] Children of Morta [PS4] Reviewed by Carlos Silva on novembro 06, 2019 Rating: 5

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